4.5.09
26.9.08
Vazio e momento
Engarrafamento às
11:39 AM
por
Conrado
Quase quatro meses se passaram e eu volto aqui, pra dar um arumada na casa e tentar escrever de novo. Confesso que tenho tido uma certa dificuldade em escrever, não sei se por falta de assunto ou se eu desacostumei mesmo.
Sabe o que eu acho que é? Medo de escrever o que na verdade eu preciso falar.
(juro que tentei, mas minhas entrelinhas não funcionam mais.)
PS: Geralmente eu termino meus textos e penso num título, de acordo com o que escrevi. Pensei em no título "Vazio", logo lembrei de "Vazio e momento", que me lembrou uma música do Mombojó com esse nome. E não é que ela serve bem pro momento?
"Você me faz ter medo da minha condição
Você me traz segredos
E eu não te entendo mais
Você me faz ter medo da minha condição
Você me traz segredos
E eu não te entendo mais não
Eu não te entendo mais
Se nos alegramos
Nossa alegria não está em nós
Se nos enganarmos
A verdade não está aqui
E se nós sofrermos
Nossa dor não está em nós"
Sabe o que eu acho que é? Medo de escrever o que na verdade eu preciso falar.
(juro que tentei, mas minhas entrelinhas não funcionam mais.)
PS: Geralmente eu termino meus textos e penso num título, de acordo com o que escrevi. Pensei em no título "Vazio", logo lembrei de "Vazio e momento", que me lembrou uma música do Mombojó com esse nome. E não é que ela serve bem pro momento?
"Você me faz ter medo da minha condição
Você me traz segredos
E eu não te entendo mais
Você me faz ter medo da minha condição
Você me traz segredos
E eu não te entendo mais não
Eu não te entendo mais
Se nos alegramos
Nossa alegria não está em nós
Se nos enganarmos
A verdade não está aqui
E se nós sofrermos
Nossa dor não está em nós"
4.6.08
Conexão Serra-Poça
Engarrafamento às
2:03 PM
por
Conrado
Há 3 meses atrás, escrevi meu último post morando em Friburgo, e só me dei conta disso agora. Três meses depois, cá estou eu, morando sozinho e "solteiro no Rio de Janeiro" (hehehe), e confesso que as coisas não estão sendo como eu pensei que fossem.
Me imaginei muito mais feliz aqui, mas acho que isso se deve ao fato de eu sempre ter me imaginado morando sozinho ao mesmo tempo em que fazia faculdade, e não uma merda de um cursinho pré-vestibular. Isso dá um baita desânimo, ter toda essa responsabilidade de novo em cima dos meus ombros, pra atingir a expectativa dos outros e as minhas também. O custo de vida é alto, e isso faz com que eu me sinta mal muitas vezes.
Contudo, essa cidade maravilhosa vai demonstrando aos poucos o que ela tem, ao mesmo tempo em que eu começo a dar mais valor para as relações sociais desse povo, para o modo de vida, para o que se tem para desfruto pelas bandas do nível do mar.
Passei a dar mais valor também pra minha querida Nova Friburguinho! Adoro poder pegar o ônibus para sentir o cheiro da serra, a viagem é gostosa pois é fato de que há uns dias eu volto pra cá, mesmo que existam muitos prós em minha cidade natal, e nem tantos por aqui. Gosto de sacanear minha irmã, dar umas porradas no véio e fazer um cafuné na véia; beber na Portugal com os amigos, deitar na minha cama, não ter que preparar comida pro almoço (sempre muito delicioso!), aprendi a dar valor a todas essas coisas. Se eu não tivesse tomado a decisão de sair de casa, hoje em dia aposto que eu não daria tanto valor à essas coisas bobas como hoje eu dou. Foi com isso que amadureci... eu também passo a semana toda sozinho (salvo algum dia da semana em que alguém me chama pra fazer algo), não conheço ninguém no meu curso (esse meu lado antisocial eu não conhecia, acredite!), e todos os dias digo "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" pra TV. Deprimente!
No meio disso tudo, consigo ver o quanto eu amadureci também. É meio estranho, pois minha vida tá meio confusa... mas vejo como hoje em dia eu lido com diversas situações em que antes, eu não sabia o que fazer, e hoje, parece estar emaranhado no meu ser, como se estivesse na ponta da língua determinadas frases ou respostas. Lavo minhas cuecas (às vezes só, o resto eu levo pra Friburgo, ahhaa), lavo minha louça, limpo minha casa, arrumo minha cama, faço minhas compras de mercado... hoje me viro sozinho, numa cidade grande, com poucas pessoas que conheço a fundo e que me dão segurança.
Ah, mas isso é o que me mantêm tranqüilo aqui; a certeza de que existem pessoas que eu posso contar, de verdade, de sair correndo até Ipanema, ou pegar um ônibus pro Largo do Machado ou pro Humaitá. Salve, salve! Amigos de longa data, amigos importantes, e aqueles que serão pra sempre os mais especiais...
Me imaginei muito mais feliz aqui, mas acho que isso se deve ao fato de eu sempre ter me imaginado morando sozinho ao mesmo tempo em que fazia faculdade, e não uma merda de um cursinho pré-vestibular. Isso dá um baita desânimo, ter toda essa responsabilidade de novo em cima dos meus ombros, pra atingir a expectativa dos outros e as minhas também. O custo de vida é alto, e isso faz com que eu me sinta mal muitas vezes.
Contudo, essa cidade maravilhosa vai demonstrando aos poucos o que ela tem, ao mesmo tempo em que eu começo a dar mais valor para as relações sociais desse povo, para o modo de vida, para o que se tem para desfruto pelas bandas do nível do mar.
Passei a dar mais valor também pra minha querida Nova Friburguinho! Adoro poder pegar o ônibus para sentir o cheiro da serra, a viagem é gostosa pois é fato de que há uns dias eu volto pra cá, mesmo que existam muitos prós em minha cidade natal, e nem tantos por aqui. Gosto de sacanear minha irmã, dar umas porradas no véio e fazer um cafuné na véia; beber na Portugal com os amigos, deitar na minha cama, não ter que preparar comida pro almoço (sempre muito delicioso!), aprendi a dar valor a todas essas coisas. Se eu não tivesse tomado a decisão de sair de casa, hoje em dia aposto que eu não daria tanto valor à essas coisas bobas como hoje eu dou. Foi com isso que amadureci... eu também passo a semana toda sozinho (salvo algum dia da semana em que alguém me chama pra fazer algo), não conheço ninguém no meu curso (esse meu lado antisocial eu não conhecia, acredite!), e todos os dias digo "bom dia", "boa tarde" e "boa noite" pra TV. Deprimente!
No meio disso tudo, consigo ver o quanto eu amadureci também. É meio estranho, pois minha vida tá meio confusa... mas vejo como hoje em dia eu lido com diversas situações em que antes, eu não sabia o que fazer, e hoje, parece estar emaranhado no meu ser, como se estivesse na ponta da língua determinadas frases ou respostas. Lavo minhas cuecas (às vezes só, o resto eu levo pra Friburgo, ahhaa), lavo minha louça, limpo minha casa, arrumo minha cama, faço minhas compras de mercado... hoje me viro sozinho, numa cidade grande, com poucas pessoas que conheço a fundo e que me dão segurança.
Ah, mas isso é o que me mantêm tranqüilo aqui; a certeza de que existem pessoas que eu posso contar, de verdade, de sair correndo até Ipanema, ou pegar um ônibus pro Largo do Machado ou pro Humaitá. Salve, salve! Amigos de longa data, amigos importantes, e aqueles que serão pra sempre os mais especiais...
7.3.08
O lucro da safra
Engarrafamento às
12:50 AM
por
Conrado
De uns tempos pra cá tenho sentido umas coisas diferentes em mim, o que pra mim sempre foi muito distante e talvez até inatingível: maturidade.
Nenhuma outra fase da minha vida se compara ao momento em que eu estou passando. Há um mês atrás tomei noção de todas as coisas que estavam passando pela minha cabeça - não me refiro A QUÊ - e sim à quantidade de coisas que estão tomando minha cabeça ultimamente.
Nunca pensei que envelhecer, amadurecer, criar responsabilidades, fosse o que é para mim nesses últimos tempos. Ao mesmo tempo em que é bom, é ruim também.
É bom porquê me sinto quase como adulto, tomando minhas decisões e o mais importante, seguindo o rumo que eu devo tomar, sem a opinião de terceiros.
É ruim porquê vem sempre o sentimento de angústia, de não ter certeza sobre o que vai vir e o que pode acontecer na minha vida. Mas o importante é que por mais que existam coisas que me façam ter medo, surge sempre na minha cabeça "esse é o caminho que eu escolhi trilhar", um caminho de ralação, de pessoas e situações diferentes, em uma cidade nova, e de lugares diferentes, que vão me acrescentar como pessoa, momentos que nunca vivi... felizmente tenho consciência de que isso tudo é pra fazer parte da minha vida, todos os obstáculos e felicidades que vou passar.
E acho que é justamente essa dualidade de sentimentos que faz com que a minha cabeça se torne um completo fuzuê, pois é a mistura de sentimentos que me faz acordar num dia feliz, com a minha nova vida que vai se iniciar, e no outro dia, acordar com o sentimento de que dificilmente haverá um dia de semana na minha casa em que eu poderei fazer nada, acordar a hora que eu quiser, ouvir minha música, deitar a cabeça no meu travesseiro...
Todas as coisas boas e bobas, e as cosias bobas e importantes me fazem ficar nessa encruzilhada - bom ou ruim?
A conclusão de que chego é complicada, talvez que não possa ser expressa em palavras, mas resumidamente é isso: um campo cheio de buracos, cheio de flores para colher. Pois é nisso que eu acredito - uma das minhas filosofias de vida - a gente só colhe o que planta.
Nenhuma outra fase da minha vida se compara ao momento em que eu estou passando. Há um mês atrás tomei noção de todas as coisas que estavam passando pela minha cabeça - não me refiro A QUÊ - e sim à quantidade de coisas que estão tomando minha cabeça ultimamente.
Nunca pensei que envelhecer, amadurecer, criar responsabilidades, fosse o que é para mim nesses últimos tempos. Ao mesmo tempo em que é bom, é ruim também.
É bom porquê me sinto quase como adulto, tomando minhas decisões e o mais importante, seguindo o rumo que eu devo tomar, sem a opinião de terceiros.
É ruim porquê vem sempre o sentimento de angústia, de não ter certeza sobre o que vai vir e o que pode acontecer na minha vida. Mas o importante é que por mais que existam coisas que me façam ter medo, surge sempre na minha cabeça "esse é o caminho que eu escolhi trilhar", um caminho de ralação, de pessoas e situações diferentes, em uma cidade nova, e de lugares diferentes, que vão me acrescentar como pessoa, momentos que nunca vivi... felizmente tenho consciência de que isso tudo é pra fazer parte da minha vida, todos os obstáculos e felicidades que vou passar.
E acho que é justamente essa dualidade de sentimentos que faz com que a minha cabeça se torne um completo fuzuê, pois é a mistura de sentimentos que me faz acordar num dia feliz, com a minha nova vida que vai se iniciar, e no outro dia, acordar com o sentimento de que dificilmente haverá um dia de semana na minha casa em que eu poderei fazer nada, acordar a hora que eu quiser, ouvir minha música, deitar a cabeça no meu travesseiro...
Todas as coisas boas e bobas, e as cosias bobas e importantes me fazem ficar nessa encruzilhada - bom ou ruim?
A conclusão de que chego é complicada, talvez que não possa ser expressa em palavras, mas resumidamente é isso: um campo cheio de buracos, cheio de flores para colher. Pois é nisso que eu acredito - uma das minhas filosofias de vida - a gente só colhe o que planta.
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